"A Senda "

Nesse livro que tem como significado "O Caminho", criamos as caminhadas místicas ecológicas, onde o caminhante é induzido a sobrepor suas imperfeições e adentrar as intempéries da realidade egoísta que vivo dentro de cada um e, norteá-las ao bem comum.

São 16 km de percurso, nos quais as tensões serão efetivamente eliminadas. Assim, o caminhante encontra a liberdade. No misticismo, percebe que não está só. Na ecologia vê a possibilidade de renovar as áreas desmatadas, provendo de mudas de espécies nativas, adequadas a cada região e preservando as nascentes.

Segue pequeno trecho de uma das histórias de "A Senda": Na Manhã do dia Seguinte:

... Ao sair pela porta do porão, deparei-me com uma senhora de mais ou menos um metro e meio de altura, magra, de olhos vivos e de sutil esperteza, a qual me convidou para o café, no pavimento superior. Subimos a escada e já posta, a mesa era farta com bolachas, bolos, pães, geléia, doces, café e leite.

 
 
 
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A senhora estava em pé ao lado da mesa, bem a minha frente e disse: - "Há muitos anos fui acometida de uma terrível doença, desenganada pelo médico; consegui sobreviver, tenho muita fé em Deus e sei que foi ela a responsável pela minha recuperação; cheguei a ponto de ser incapaz de me mover. Minhas irmãs, desesperadas, aguardavam minha morte, mas, numa noite, naqueles dias horríveis, aconteceu uma coisa muito estranha que, se me permite, vou lhe contar".

Eu já não sabia como proceder. Fui pego de surpresa por aquela pessoa que se propunha a me contar parte de sua vida. Coisas de um passado distante do qual eu não tinha conhecimento e muito menos porque somente agora ele estava sendo revelado; seu olhar suave traduzia a emoção, acompanhada pelos gestos das mãos que se movimentavam, enriquecendo em muito o conteúdo daquela história. Fiz um sinal para que continuasse e me sentei em uma cadeira à sua frente, e me fiz atento, sem mesmo entender o que tudo aquilo tinha a ver comigo. Agora, mais à vontade, despreocupada e sabendo que não seria interrompida na sua narrativa, continuou:

"Naqueles dias minha fraqueza era tanta, que até meus movimentos já desapareciam lentamente". Minha voz era um sussurro, do qual somente minhas irmãs conseguiam decifrá-lo. Em torno de meia noite senti me levantar da cama, mas, ao olhá-la via meu corpo deitado no mesmo lugar. Não compreendia aquele acontecimento, então, num impulso repentino me pus a andar a lugares desconhecidos. Vi, como se fosse um terreiro de café, todo branco, onde pessoas faziam ginásticas. No primeiro plano eram jovens que se exercitavam, mais à frente, estavam um senhor e várias crianças, que também faziam exercícios. Mais distante, eram pessoas idosas faziam movimentos, suaves, com seus corpos. Fui andando mantendo-me distante das crianças, em direção aos idosos, quando o homem que estava junto delas me chamou:

"Onde pensa que vai?".

Virei-me e respondi - vou acompanhar o grupo de idosos, pois não tenho tanta força como os jovens e menos ainda como as crianças!

"Nada disso, venha até aqui!".

Cheguei perto dele, não consegui ver o seu rosto; era como se minha visão estivesse muito fraca; aproximei-me, e com um sorriso ele me falou:

"Você tem um pequeno bloqueio no fundo do pulmão, como uma fumaça, que precisa ser retirada. Ela está impedindo que viva o tempo que lhe foi designado; deve começar agora os exercícios ou será tarde demais; tem que fazê-los juntamente com as crianças; observe como é fácil - eleve seus braços lentamente até a altura dos ombros, inspirando e expirando, sem forçar nada, tudo naturalmente, e, volte a colocá-los junto a suas pernas; faça tudo igualzinho a essas crianças, que ao seu lado servirão de apoio e lhe darão confiança ao executarem os movimentos propostos juntamente com você".

Mas, como fazê-los se minha fraqueza é tanta que não consigo nem mexer meus braços?

Então ele respondeu firme, como se fosse uma ordem:

"Você consegue, nada é impossível tendo vontade e inteligência".

Assim que as crianças começaram a elevação dos braços, eu lentamente me pus à ordem daquele homem.

Elevamos os braços duas vezes, o que me pareceu uma eternidade; na terceira vez, com muito espanto, me vi novamente no quarto, levantando os braços e jogando as coisas que estavam sobre a cama, pelo chão; minhas irmãs com o barulho acordaram e desesperadas falavam entre elas:

"Veja, está delirando, acho que chegou a hora".

Nisto, abri os olhos e vendo-as naquele sofrimento, disse:

Não se preocupem, estou melhor; adormeci em seguida, sem perceber ao certo o que ocorrera.

Na manhã seguinte, quando o médico adentrou ao quarto, com um movimento rápido me sentei na cama e falei:- Já estou curada doutor.

O médico ficou paralisado por alguns instantes e veio logo me examinar; auscultou meus pulmões, mediu minha pressão e resmungava baixinho:

"Isto só pode ter sido milagre!... isto só pode ter sido milagre!... hoje trouxe, em minha maleta, um equipamento para fazer punção em seus pulmões, pois já não tinha mais esperança no seu caso; o seu santo é muito forte" - olhando na parede uma imagem que parecia estar ali, fixada.

Depois de passar as recomendações as minhas irmãs, ele foi embora e, ainda sussurrava:

"Foi um milagre!... foi um milagre!... foi um milagre!...".

Minhas irmãs choraram muito de alegria e felicidade: eu voltava à vida.

Olhei então, em direção a parede, onde estava a imagem do santo, e, não havia nada nela; era uma parede comum sem nenhuma marca e muito menos quadro.

Em meus pensamentos, uma mensagem veio forte e ficou gravada:

Um dia virá ao seu encontro alguém que lhe esclarecerá fatos que hoje ainda não está preparada para entender, mas, juntando as informações de agora e com as que lhe serão passadas, descobrirá que na casa do Pai existem muitas moradas que precisam ser desvendadas. Com aquela mensagem, na época, tudo foi esquecido, somente agora com sua presença, revivi as dores e as alegrias, ao mesmo tempo em que os detalhes latentes em minha memória subconsciente foram revolvidos e expostos como deveriam ter sido. Obrigado"!

Levantei-me da cadeira, fui até a janela e através dos vidros, olhei o espaço vazio da esperança, sentindo rolar uma lágrima pelo meu rosto.

 

 

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